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A língua é o corpo, o corpo é a linguagem.

- Jaider Esbell

 

Por onde começar uma narrativa sobre a agentividade aplicada na retomada de uma determinada identidade originária, para não dizer indígena? Considerando o contexto colonial e o caso específico da cultura Tupiniquim, abre-se um leque de realidades ainda ocultas para o campo das pesquisas e atuação ampla, em artes. 

Me parece que é sobre a contra-colonialidade que estamos falando. A contra-colonialidade seria então um movimento além da decolonialidade pois o que os difere é a marcação de que os corpos atuantes sejam exatamente atores, sujeitos ou agentes que são, ou estão no alvo direto da ação colonial, portanto indígenas. 

A rigor, quem deveria decolonizar seriam os colonizadores, ou seus descendentes, nesse caso o brasileiro comum, que tem em alguma parte da Europa a sua raiz identitária. Quando pessoas nativas, ou indígenas se conscientizam de suas matrizes originárias e negam o genocídio lutando para alcançar de volta o rio maior de suas vidas, temos então casos de contra-colonialidade. 

O levante cultural indígena no Brasil é uma realidade contra-colonial cheia de evidências que vem extrapolando os campos clássicos das pesquisas, seja a antropologia, a linguística ou a etnologia. Quando indivíduos coletivos assumem a frente dessas pesquisas sobre seu corpo-identidade maior, trazemos à luz da criticidade um componente ainda mais legítimo. 

Negar a extinção de uma cultura é por si só um ato revolucionário e performar esses percursos afirmativos pressupõem outras metodologias. Quanto pesquisadores artistas assumem essas posições podemos dizer que são corpos coletivos inteirando-se de si numa retomada gradual e constante que perpassa todos os territórios. 

Sobre o território, em princípio, podemos considerar o mais básico dos lugares a se ocupar pois são nos territórios físicos, a terra ancestral, que residem todas as memórias que virão a se reconectar com os corpos biológicos vivos ainda que em fragmentação. É que, se culturas, saberes, conhecimentos, cosmologias podem ser considerados um tipo de energia, temos aqui um ponto que pode parecer muito interessante, no campo da reflexão.

O que se fala, ou o que se busca teorizar é que energia não se extingue, mas se renova de algum modo, em um outro tempo e mesmo ainda que mais difícil e demorado, em um outro lugar. Assim pensando, se muitos povos foram e ainda estão sendo extintos, podemos questionar a extinção, se seguirmos esse raciocínio e aplicarmos eles nas afirmativas identitárias. 

Vamos lançar algumas provocações para juntos desenvolvermos um campo de pensamento que vá além do convite que é lançado, não aleatoriamente, para que o senso comum aceite e internalize a extinção cultural ou o etnocídio. Para onde vão afinal os cabedais de conhecimento das culturas que foram, a priori extintas? 

Vamos colocar a palavra extinção entre aspas por considerar a possibilidade, mesmo que ainda remota de desfazer os seus efeitos, ou seja, não a assimilando. Podemos imaginar que esses “arquivos” fiquem em algum lugar, já que podem ser considerados um tipo de energia e que, enquanto energia, não se extinguem, mas se reorganizam de outras formas, em outras formas e quem sabe não se recompõem em sua natureza anterior e própria? 

Imaginemos então uma espécie de biblioteca, um repositório mais que virtual, um lugar memorial onde ficam ou onde são depositadas as energias, que são os cômputos dos saberes ancestrais das culturas ditas extintas. Se as línguas, as práticas, os ritos, mitos e o tudo de uma cultura extinta estão em um lugar à parte, qual seria a chance destas culturas voltarem a ser manifestadas? 

Não é o caso do povo Tupiniquim pois embora ainda não totalmente resgatado por seus viventes, a língua está tecnicamente salva pois nesse caso, a biblioteca está ainda acessível; há dicionários e alguns falantes. Os falantes são Tupiniquins? Isso é importante e como estrategicamente pode funcionar para o povo Tupiniquim?

A língua Tupiniquim está registrada de algum modo graças à resistência do povo e aos pesquisadores que documentaram essa parte da cultura que hoje é retomada vertiginosamente. O que se conhece sobre os Tupiniquins, a grosso modo, ainda que por poucos, é que essa nação passou por diversas fragmentações no processo histórico colonial mas resistiu e está viva. 

Lê-se que nas últimas décadas teve parte de seu território ancestral devolvido para uma população de pouco mais de mil indivíduos e que desde então intensificam outras retomadas, em especial a língua. A literatura pública diz que o idioma Tupiniquim quase foi extinto, mas que hoje é ensinada nas escolas das aldeias, ainda que como uma segunda língua.

Falamos então de um território ainda em construção de autonomia pois a primeira língua ensinada é mesmo o Português, a língua do colonizador. É preciso destacar, no campo aberto da pesquisa estas realidades coloniais. Parece-me que o estado não admite não colonizar.

Aqui buscamos tratar do caso dos Tupiniquins que configuram uma trajetória de quase extinção e que nos dias atuais seguem resistindo e exigindo que seu corpo-território integral se reestabeleça, isto é, seu território ancestral, seu tempo, seu todo e em especial sua língua. Percebemos que esse trabalho para além de ser administrado por um serviço ou aparelho colonial, no caso a escola, ainda pesa o fato de ser uma língua ensinada como segunda opção. 

Quando artistas tupiniquins decidem colocar o território da língua-mãe como linguagem performática de retomada, com certeza as caixinhas antes mais distantes, ficam mais vibrantes e “descem” com mais facilidade para seu lugar, o povo. A grandiosidade do ato, ou dos atos artísticos são evidencias também de desobediências às estruturas racistas, ou em outro aspecto, são tomadas autônomas de atitude coletiva com consciência de indivíduos. Mas se o caso não fosse o caso Tupiniquim? 

Pensamos um pouco mais partindo da possiblidade que cultura é energia e, portanto, não deixa de existir, mas fica disponível em algum lugar. É muito pouco provável que haja alguma cultura, por mais fechada e “pura” que possa parecer que não tenha deixado algum “herdeiro genético” em alguma outra cultura que ainda está viva.

Não é exatamente sobre mestiçagem que tento tratar. O que tento suscitar é a possiblidade de se considerar viável, que questionemos a sentença taxativa da extinção com um fim definitivo. Quero pensar e fazer pensar que as culturas anteriores à nossa estão disponíveis aos corpos vivos, se os corpos se manifestarem, ao menos um, para começar o processo. Que podem haver, ou vir a se descobrir exercícios para se acessar tais arquivos e que eles a rigor, passam pela auto determinação. 

Quando falo que no brasil há um levante histórico e monumental sobre a auto-identidade e que esse fenômeno não pode ficar e não está mais restrito aos campos clássicos das pesquisas, eu talvez queira dizer que é no campo aberto das artes que esse fenômeno vem ganhando força de expressão. 

A questão tem mais ou menos essa configuração: indivíduos artistas sabem que pertencem a alguma nação originária por se auto analisarem. Se perguntam em um primeiro momento, buscam seus ancestrais mais recentes, pesquisam suas genealogias numa saga aparentemente impossível de dar em algum lugar.

Essas pessoas manifestam inquietações históricas, se deparam com muitas barreiras, sofrem novas violências. São negados seguidas vezes, são impelidos de suas buscas por não acharem terreno propício pois impera a força do apagamento. Não podemos deixar de citar que ainda é muito recente e viva a violência colonial, a ordem seguida de punição severa, quando não a morte para aqueles ou aquelas que insistem em manter suas culturas próprios. 

Por quais razões ainda temos que negar nossa origem? Por quais razões não nos sentimos à vontade para falar sobre identidade? Ao que me parece, se bem escutarmos, indivíduos coletivos artistas indígenas ou das nações primeiras, podem nos mostrar, já que falar ainda não dá.                  

 
Strokes pequenas

A fotografia e importância das redes sociais para os Tupinikim

- Beatriz Pêgo

 

A fotografia tem o poder de registrar um fragmento de um ato, de perpetuar os detalhes das experiências e concretizar as memórias. Transcende a emoção, evoca as lembranças e realça os detalhes do nosso cotidiano que raramente paramos para contemplar. Nela a realidade se apresenta de forma poética seja na leveza ou no pesar de um momento.

 

A expressão “novo ângulo“ pode se manifestar de forma ambígua: ao posicionamento da câmera ou a nova perspectiva da realidade. Através da fotografia eu registro os momentos, mesmo que por um simples equipamento, para que outros possam ver as minhas experiências através das lentes e diferentes ângulos.

 

Os Tupinikim fazem uso das câmeras principalmente para desmistificar o “perfil” construído e enviesado pelos colonizadores europeus no período pré-colonial. Para manter os registros da sua ancestralidade, território e cultura, divulgando pelas redes sociais que atualmente torna-se uma ferramenta bastante explorada por todos.

 

A popularidade e a sua visualização na internet têm muitos impactos positivos. Os conteúdos postados dialogam com as experiências e histórias atuais que englobam as nossas vivências, natureza, cultura, questões políticas e principalmente a descolonização, que tem por objetivo desconstruir o senso comum. Através da expressão e comunicação, o diálogo é como arma e se faz necessário para os enfrentamentos das ideias coloniais, o que se relaciona com a fotografia e oportuniza o compartilhamento do conhecimento e da vivência dos indígenas do Séc. XXI, expressando a mutabilidade cultural, a fim de desmontar os estereótipos e expressões de intolerância étnica e política, preconceito e discursos de ódio.

 

A fotografia é um dos meios de comunicação mais utilizados e por ela, junto às redes sociais, é possível a interação e compartilhamentos de informações verídicas das vivências dos povos indígenas. Expomos registros de fatos, locais geográficos e suas características. O que tentamos desconstruir é a imagem do indígena dos livros de educação e animação.

 

A história indígena precisa ser contada e escrita pelos próprios indígenas, que expressam suas experiências, sentimentos e identidade. Que quebram as estereotipias do “índio ideal, índio selvagem”, dos livros didáticos: indígenas nus, com flecha e uma pena na cabeça.

 

Eu observo que hoje os equívocos e preconceitos não estão somente relacionados à falta de informações, tendo em vista que estamos na era digital. Mas que se relacionam com o senso comum e falta de altruísmo para entender e aceitar o indígena mostrado na sua perspectiva e etnografia.

 

Por sua vez, a cultura é a manifestação do espírito de um povo expressando-se de inúmeras formas, materializando se através de diversos meios. Desde a invasão do então chamado Brasil, a forma mais eficaz de combate ao povo Tupinikim foi o ataque à cultura e aos costumes. A tentativa de deslegitimar a autenticidade dos povos indígenas foi sustentada pela falta de conhecimento da riqueza etnicocultural. Posto isto, a fotografia desempenha não somente a possibilidade das pessoas experienciarem a cultura através de uma lente, mas também tem o papel de ser testemunha inexorável da memória do meu povo.

Arte pop

Terra, Arte e Língua Vivas

 

- Idjahure Kadiwel

 

Segundo a narrativa canônica da História do Brasil, ao aportarem há cinco séculos as caravelas ibéricas pelos povoados litorais destas terras, os grandes navegadores descobriram a América. Contada pela perspectiva de seus povos originários, esta narrativa do “descobrimento”, no entanto, poderia perfeitamente ser rebatizada de narrativa do “encobrimento”, visto o incomensurável eclipsamento da existência de milhares de povos indígenas que plenamente já habitavam e viviam nestas terras. Populações multiétnicas e plurilíngues da maior sociodiversidade, pertencentes a complexas organizações sociais, habitantes dos mais diversos ecossistemas, foram apelidadas de “índios” e silenciadas pelos invasores. Sem qualquer estremecimento, houve a queda de muitos céus.

Povos originários e sua multiplicidade são parte da história da humanidade. Na atualidade, pesquisadores estimam que este continente começou a ser habitado por presença humana entre 12.000 e 35.000 anos atrás, ainda que outras hipóteses sejam aventadas, por meio da migração de populações paleolíticas que cruzaram, entre as atuais regiões da Sibéria e Alasca, o estreito de Bering. Cada um de nós, povos indígenas, por sua vez, possuímos nossas próprias narrativas ancestrais de criação.

Anciões dos povos Terena e Kadiwéu, como muitos outros, contam que nascemos de debaixo do barro do chão. Nascemos de dentro da terra. Há muito tempo, no tempo em que os homens e os bichos conversavam, nosso Criador – Yurikoyuvakái em Terena, Ghonoenoghodi em Kadiwéu – retirou as humanidades de dentro do barro, nos aqueceu com uma grande fogueira e, pouco a pouco, nos ensinou a ser gente.

Apenas algumas estrelas no céu, em meio à constelação de narrativas eclipsadas pela descoberta. A inimaginável diversidade de humanidades e de mundos vividos só por meio de muito sangue e silenciamento que chega a ser assimilada pelo chamado processo civilizatório.

Se a América foi descoberta, os povos ameríndios no mesmo golpe foram carimbados como selvagens diante da civilização, somente como parte da paisagem que precisava ser conquistada e explorada; a relação de alteridade radical sendo marcada pela revelação dos outros eus em si como pela projeção de si sobre os outros. O sistema de colonização que se seguiu do confronto de mundos teve início com a linguagem e, entre silêncio e diálogo, tal encontro tem viciosamente se repetido há quinhentos anos sob os signos da assimetria, violência e ignorância.

Só demasiado recentemente os paradigmas coloniais foram interpelados pelo reconhecimento do grito incontestável da afirmação dos direitos originários, numa longa história de guerra e resistência. O reconhecimento das gentes indígenas como sujeitos de direitos – direito às nossas terras tradicionalmente ocupadas como aos nossos regimes de diferença – traduz-se em revisar os termos em que tem sido concebida a história e as ideias da humanidade.

Abya Yala é o nome ancestral Kuna, dentre muitos outros como Pindorama em Tupinambá, para se referir a esta terra – que, sem terem pedido licença, foi batizada de América – adotado coletivamente em Quito, em uma recente reunião internacional de nações indígenas para tornar comum uma mesma designação indígena. No Brasil, mais de 160 línguas indígenas são faladas, realidade silenciada pelos currículos educacionais e circuitos de comunicação e cultura do país.

As línguas dos povos originários, em diferentes níveis, estão ameaçadas por todo o globo. Neste século XXI, as línguas indígenas no mundo inteiro são minoritárias em sociedades que as englobam e as marginalizam. Dentre as mais de 6.000 línguas faladas em todo o mundo, metade da população global é falante de apenas 20; enquanto que metade das línguas faladas em todo o globo é falada cada uma por menos de dez mil pessoas, em um quadro que as coloca como ameaçadas de desaparecimento.

A enorme diversidade linguística dos povos indígenas da chamada América do Sul expressa-se em centenas de línguas, a maioria delas faladas pelos povos habitantes da Amazônia. De acordo com a linguística histórica, cada língua deriva sua história de um agrupamento mais amplo, tais como troncos e famílias linguísticas. Tal qual a família linguística indo-europeia, de onde provém a língua portuguesa assim como a maioria das línguas ocidentais faladas hoje, mais de 100 famílias linguísticas ameríndias são faladas no continente sul-americano, representantes de um quarto da diversidade linguística total do planeta.

Metade de toda diversidade linguística sul-americana, por sua vez, encontra-se no Brasil, onde estão representadas 30 famílias linguísticas, além de várias línguas isoladas.

A presença dos povos originários e de nossa ancestralidade se expressa hoje em uma multiplicidade de formas, mesmo após 521 anos de sistema colonial. Não é possível apagar inteiramente a presença de culturas ancestrais do corpo e da memória de pessoas que são as filhas dessa história. Hoje, o florescimento das vozes e visões indígenas marca presença em diversos espaços da sociedade civil, por meio de diversas linguagens artísticas, em articulações políticas e em produções acadêmicas, expandindo o sentido das culturas vividas nos territórios habitados tradicionalmente.

No Brasil, os povos indígenas têm crescentemente ocupado espaços na academia, nas artes, na literatura e no cinema, retomando a produção da imaginação e do conhecimento que nos concerne e que circula pela sociedade. Para além da reivindicação à demarcação das terras indígenas, que sempre foram nossas, não porque nos pertençam, mas porque nós pertencemos a ela, o processo contracolonial prossegue em uma demarcação de territórios existenciais, simbólicos e subjetivos. Nesse sentido, a revitalização e a retomada das línguas indígenas ocupam um lugar primordial.

A língua do povo Tupinikim, do litoral do Espírito Santo, o Tupinhe’enga é parte da conhecida família linguística Tupi-Guarani, uma das mais famosas famílias linguísticas indígenas, que se espalhava por meio de povos que habitavam todo o litoral de Pindorama, e que ainda hoje resiste ao monolinguismo civilizatório, conforme corporifica a resistência dos Tupinikim.

Nós sempre fomos povos de guerras e de festas, a celebração das artes e línguas indígenas hoje é uma cerimônia de cura que merece ter o apoio de todos os que conseguem captar alguma partícula das camadas de história e de resistência dos povos desta terra.

Prestigiar as artes e escutar as línguas dos povos Tupinikim e Guarani-Mbya, de Aracruz do Espírito Santo, como a produção concebida por Língua Viva, Imagens em Movimento, é parte de uma ampla ação de reconciliação com a história que tantos povos indígenas atualmente lançam mão. Estamos retomando as narrativas e reformando a imaginação a respeito de nossa própria história, cujo extraordinário brilho de tons e cores ancestrais por tempo demais foi encoberto, pelo respeito à terra e aos seus povos.

 
Impressão da aguarela

Podcast Língua Viva

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Os linguistas Urutau Guajajara, Jocelino Tupinikim, o cineasta Tiago Matheus Tupinikim e a antropóloga Aline Moschen debatem sobre o tema do desaparecimento e da retomada da língua materna do povo Tupinikim no Espírito Santo, pela abordagem da linguística histórica do tronco Tupi.

Ficha Técnica:
Realização - Bule Estúdio Criativo
Produção Executiva - Adriano Monteiro
Pesquisa e Mediação - Aline Moschen
Assistente de Produção - Maria Carolina Stelzer
Linguistas Entrevistados - Urutau Guajajara e Jocelino Tupinikim
Convidado Especial - Tiago Matheus
Designers de Som - Rodrigo Cabral e Yan Saldanha

 


Patrocínio: Governo Federal, Governo do Estado do Espírito Santo, Secretaria da Cultura do Estado do Espírito Santo e Lei Aldir Blanc.
Apoio: Gerência de Educação do Campo, Indígena e Quilombola (SEDU/ES).

Nature Artwork

Veja também!

Live de Lançamento:

Políticas Linguísticas para o Tupi

BRAVURA E CORAÇÃO

Sinopse:

Um grande desafio proposto pelo cacique para eleger o futuro líder da aldeia vai colocar Yarugûá frente a frente com Abatã, o assassino do seu irmão. Para Yarugûá, agora será difícil decidir entre se concentrar nos propósitos do grande desafio e no desejo de vingança.

Um filme dirigido por Tiago Tupinkim

 
Gráfico

O Projeto

Fomentado pela Lei Aldir Blanc via SECULT/ES, é um projeto que integra as artes verbais e as artes visuais aos temas da memória e patrimônio imaterial do povo Tupinikim. Nesta proposta, língua e imagem operam como códigos complementares na elaboração de perspectivas contra coloniais, onde artistas e intelectuais indígenas expõem o seu pensamento em diálogo com indígenas e não-indígenas.

O objetivo principal é impulsionar o debate sobre a arte indígena no presente como estratégia de retomada da língua tupinikim e do enfrentamento aos estereótipos étnico-raciais presentes no cotidiano dessa população, que divide limites próximos com o meio urbano em Aracruz, no Espírito Santo

Quem Somos?

Uma equipe composta por indígenas e não-indígenas, pensando a arte indígena no presente. Entre pesquisadores, linguistas e artistas, aqui unimos perspectivas que ora se encontram e ora divergem sobre os temas das artes verbais e artes visuais indígenas, com ênfase nas produções do povo Tupinikim, no território indígena de Aracruz.

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Doutoranda em Antropologia Social pelo Museu Nacional e pesquisadora vinculada ao Laboratório de Antropologia da Arte, Ritual e Memória (LARMe), atua nos campos da pesquisa etnográfica, produção cultural e na implementação de políticas públicas de cultura e direitos humanos.

Aline Moschen

 
 
Teste padrão colorido

Galeria

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Mestre em Comunicação e Territorialidades pela UFES, é diretor cinematográfico vinculado à Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas do Espírito Santo, fundador e produtor da websérie Palavra Negra e Diretor-presidente da Bule Estúdio Criativo.

Adriano Monteiro

JOSE ROBERTO SANTOS NEVES - FOTO CHICO G

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), com pós-graduação em Gestão em Assessoria de Comunicação pela Faesa. Trabalhou no jornal A Gazeta entre 1994 e 2013, como repórter, crítico musical e editor do Caderno Dois e do Caderno Pensar.  É autor dos livros “Maysa” (2004), “A MPB de Conversa em Conversa” (2007), “Rockrise” (2012) e “Crônicas Musicais e Recortes de Jornal” (2015). Diretor da Assessoria de Comunicação JRSN e membro da Academia Espírito-Santense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo. Em reconhecimento à sua pesquisa no campo da Música Popular Brasileira, desde o ano de 2017 teve o nome inserido como verbete no Dicionário Cravo Albin da MPB.

José Roberto dos Santos Neves

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"Ybotyra mirí" do povo Tupinikim. Nascida e criada na aldeia Caieiras Velha, reside atualmente na aldeia Amarelo "Tekoá Ywydju", em Aracruz. Graduanda em Arquitetura e Terapia Ocupacional. Desde jovem é apaixonada pela fotografia porque acredita que por ela pode perpertuar os detalhes das experiências e concretização das memórias. Em sua opinião, a fotografia transcede a emoção, guia as lembranças e realça os detalhes do cotidiano do seu povo. É através da fotografia que registra o mundo, para que os outros possam ver as suas experiências através das suas lentes e ângulos. (Metafóricamente e literalmente falando).

Beatriz Pêgo

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Indígena do povo Tupinikim de Aracruz. Escritor,  estudante de jornalismo e cineasta independente. É diretor do filme "Bravura e Coração", publicado no Youtube em 2020 e autodidata no tupi antigo.

Tiago Matheus

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Comunicadora e produtora, atua na gestão de projetos de economia criativa nas áreas de comunicação e marketing, empreendedorismo, eventos e cinema de animação. Formada em Comunicação – Jornalismo pela UVV-ES, com técnico em Rádio e TV pelo CEET Vasco Coutinho e especialização em Produção Executiva pela AIC – SP.

Ana Luiza Calmon

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Artista, escritor e produtor cultural indígena da etnia Makuxi. Nasceu em Normandia, estado de Roraima, e viveu, até aos 18 anos, onde hoje é a Terra Indígena Raposa – Serra do Sol (TI Raposa – Serra do Sol). Antes de ser artista, habilidade descoberta na infância, Esbell percorreu diversos caminhos, acreditava, levariam à plena condição de manifestar suas habilidades. Deixou a casa dos pais e chegou na capital Boa Vista com o Ensino Médio concluído. Como todo adolescente indígena, fez contatos pares com vilas, cidades e aldeias.Formou-se em Geografia em 2007. Em 2016, recebe indicação ao Prêmio PIPA, o maior prêmio da arte contemporânea Brasileira. Estaria assim de fato e de direito falando a língua universal, a linguagem das artes. Sendo a arte o próprio objeto de vida do artista.

Jaider Esbell

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É poeta e antropólogo, sendo atuante também como editor, tradutor, intérprete e roteirista. Nascido no Rio de Janeiro, é pertencente aos povos Terena e Kadiwéu, do Pantanal sul-mato-grossense. É graduado em Ciências Sociais pela PUC-Rio (2017) e mestre em Antropologia Social pelo Museu Nacional/UFRJ (2020). Seus trabalhos e pesquisas enfocam as etnomídias e as artes indígenas. Desde 2016 é correspondente da Rádio Yandê. É coeditor da coleção Tembetá (Azougue Editorial 2017-2019), editor do catálogo da exposição Véxoa: Nós sabemos (Pinacoteca de São Paulo 2021) e pesquisador do programa de residência MAM | Capacete 2020.

Idjahure Kadiwel

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De Abya Yala, Filho de Pindorama, Nação Tupinambá, ancião e avô, Comunicador, empresário, cultura digital indígena no Brasil, Tecno-Xamanista, Artista Indígena Orgânico e Virtual, etnomídia indígena, CEO, Produtor Executivo, Rádio Yandê (web rádio indígena), Casa Yandê, Prêmio da Música Indígena Contemporânea, Yby Festival, Yby MANI, Maker Indígena, especialista em HiperMuseus, Bussines RedSkin Money, RePangeia Indígena, e criando uma startup um Open Banking Indígena (o 1º banco indígena do Brasil),  atualmente estudante de jornalismo na Faculdade Católica Paulista.
E nas horas vagas por hobby é alienígena.

Anápuàka, Muniz, Tupinambá, Hã hã hãe

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É do povo Tenetehara, mestre em Linguística pelo Museu Nacional da UFRJ, especialista e professor de línguas do tronco Tupi. Atualmente, desenvolve cursos sobre a cultura Tupi-Guarani com foco no ensino das línguas e história dessas populações no Brasil.

Urutau Guajajara

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Graduada em Artes Visuais Licenciatura pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES); Bacharel em Design Gráfico pela Universidade Cidade de São Paulo (UNICID); Proprietária da Empresa Juliana Arte & Design; Coordenadora do Cursinho Popular Pré-Vestibular Risoflora em Vitória/ES; Fotógrafa; Artista Visual com ênfase em pinturas com mandalas; Dançarina de Danças Populares integrante do Grupo Andora-UFES.

Juliana Lima

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Jocelino da Silveira Quiezza, Tupinikim, liderança indígena comunitária da aldeia Caieiras Velha em Aracruz (ES), é professor indígena, com pós-gradução em História, Diversidade e Culturas Indígenas pela faculdades EST - RS e mestre em linguística formado pelo Museu Nacional da UFRJ. Considera que ser liderança não é uma opção, fruto da trajetória de vida como aprimoramento dessa formação.

Jocelino Quiezza